O caso aqui relatado é verídico e de interesse tanto daqueles que têm filhos ou não. Na verdade, é especialmente angustiante para aqueles que têm filhos novos, em idade mais tenra (personalidade sendo moldada), e que estão passando pelo calvário de decidir qual escola e método educacional é a ideal para seus herdeiros.

Na época que cursava Engenharia Mecânica me instruíram a deixar o texto o menos subjetivo possível, evitando adjetivos. Por exemplo, o que é uma “pequena peça metálica”? O “pequena” depende do referencial, depende de quem vai julgar se é mesmo pequena ou não, depende da situação, depende de sua utilização, etc.

Vou, portanto, discorrer o caso omitindo nomes e evitando adjetivos, para que o tom de minha narrativa os influencie o mínimo possível.

A ESCOLINHA era tida como uma das melhores (se não a melhor) e mais elitista escola de ensino fundamental de Brasília. Seu sistema e método de ensino tinham por objetivo moldar a nata da sociedade, os líderes do futuro. Estes foram alguns dos motivos que levaram PAPAI a matricular o FILHINHO lá, almejando um futuro de destaque ao herdeiro.

Certa vez foi programado um passeio para a turma do FILHINHO (um teatro, museu, ou algo assim). Como era praxe da ESCOLINHA, todos os alunos deveriam trajar o uniforme de gala.

No dia marcado, todos uniformizados, os alunos foram embarcando um-a-um no ônibus escolar que os levaria à excursão. Quando FILHINHO ia subir foi impedido. Motivo: seu sapato era marrom, e não preto, como ordenava a padronização dos trajes de gala da ESCOLINHA.

Impedido de participar do passeio, FILHINHO deveria voltar à sala de aula. Como não haveria ninguém lá, então, foi colocado na sala da diretoria. Frustrado, triste e solitário, ficou lá das 14 às 18 horas sozinho, gritando e chorando.

A intenção da ESCOLINHA foi dar um castigo, de modo que FILHINHO (e talvez também PAPAI e MAMÃE que não atentaram às minúcias do uniforme de gala) nunca mais incorresse no erro.

Diante da experiência torturante do FILHINHO, PAPAI disse entender o cancelamento de sua ida ao passeio, porém queria questionar o fato dos pais não terem sido contactados para buscá-lo na escola, ao invés e mantê-lo isolado do mundo por 4 horas.

Tentou uma vez, tentou duas vezes, tentou três vezes. Nem diretor, nem coordenador pedagógico, nem professor: ninguém quis falar com PAPAI, defender a posição da ESCOLINHA, pedir desculpas ou dar qualquer tipo de satisfação.

FILHINHO está se mudando para outro estabelecimento de ensino.

E você, o que acha disso?

Anúncios