Esta semana fui a uma loja de anúncios classificados do Correio Braziliense. À minha chegada duas pessoas estavam sendo atendidas: um homem alto de camisa listrada e outro homem magro com o braço enfaixado. Não havia ninguém na espera, de modo que o atendimento seguinte seria o meu, como bem aconteceu.

Enquanto encomendava meu anúncio, o homem de camisa listrada fazia seu pagamento, o de braço enfaixado continuava sendo atendido, e chegou um senhor de idade mais avançada.

Terminei e me encaminhei à fila do caixa, sendo logo seguido pelo homem de braço enfaixado, enquanto ouvia o senhor idoso conversar e dar risadas com sua atendente.

Enquanto passava meu cartão de crédito, o rapaz atrás de mim deslocou-se dois passos para pegar um copo de água. Nisso, o idoso o contornou e ocupou seu lugar na fila.

ENFAIXADO – “Posso pagar o meu antes? É que eu já estava aqui na fila.”

IDOSO – “De jeito nenhum!”

ENFAIXADO – “É que estou com pressa, vou pagar em dinheiro, e já está até trocadinho.”

VELHO – “Eu tenho direito, eu tenho idade!”

ENFAIXADO – “É só porque eu estou com o braço operado, está doendo, e eu queria terminar logo.”

VELHO CHATO – “Sai daqui senão te denuncio! A lei está do meu lado.”

ENFAIXADO – “Mas…”

VELHO CHATO E ATACADO – “Você está tentando me agredir! Vou te denunciar!”

O rapaz resignou-se e sentou calado. Minha vontade era gritar: “Olha, ele não tá tentando te agredir, mas EU fiquei com uma vontade imensa de fazer isso!”. Infelizmente meus pais conseguiram me educar de forma e evitar tal atitude, e o máximo que consegui foi exclamar em alto e bom tom, audível para todos do recinto: “Putz, que diabo de velho barraqueiro!”.

Aliás, uma dúvida: a lei à qual o velho barraqueiro se referia era o Estatuto do Idoso ou a Lei do Mais Chato?!

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