Levados por Thomas Troisgros, fui conhecer o Aconchego Carioca. Numa analogia, poderíamos dizer que é um bar-restaurante irmão do Mocotó de São Paulo. A casa é conhecida da ala brasileira dos TrêsGordos desde que ocupava um imóvel pequenino defronte ao atual estabelecimento, tanto é verdade que no cardápio pode até ser encontrada uma homenagem em forma de prato: o jiló do Claude!

Redes no teto, garrafas de cachaça e cervaja, muitos cartazes de brejas do mundo inteiro.

Fomos calorosamente recebidos por Kátia (a proprietária) e Rosa (sua filha e comandante de cozinha), que se encarregaram de escolher o que NÓS comeríamos naquele almoço. E Kátia ainda sussurrou no ouvido de Thomas: “estou com umas coisinhas guardadas pra você”. O chef do Olympe logo explicou: “sempre que aparecem umas cervejas diferentes, especiais, ela guarda pra eu experimentar!”. E começamos nosso tour:

E começamos molhando a garganta. Toda propaganda de cerveja fala em lúpulo tcheco, certo?! Pois essa é a Pilsner Urquell - "mãe das Pilsen", vinda da cidade que inventou e deu o nome a esse tipo de cerveja.

Carro-chefe: um mix de torresmo com bolinho de feijoada e shot de batida de limão.

Bolinho de feijão branco com rabada.

Passamos então para uma velha conhecida: Colorado Indica, de Ribeirão Preto, uma pale ale com adição de rapadura.

Bolinho de aipim com vatapá à parte. Ao fundo, bolinho de angú com requeijão de ervas.

É claro que ia rolar uma belga. Aliás, mencionei que a Carta do Aconchego disponibiliza mais de 230 rótulos de cerveja?

Sotaque português: bolinho de grão-de-bico com bacalhau e molhinho de azeitona preta.

Desde que chegamos o Thomas insistia num Camarão na Moranga para o almoço. Esse é o tipo de prato que me dá arrepios, pelos sucessivos desastres no ponto de cozimento do crustáceo.

Queimei a língua: o ponto do camarão estava PER-FEI-TO! Arroz, farofinha e muita pimenta pra acompanhar!

E tome outra belga: St. Feuillien Tripel!

Fomos ainda cobaias de um teste de cozinha: um "atolado de cordeiro", que veio em simpáticas cocottes. Molhinho delicioso. Isso aí e uma farinha... VIXE!!!

Perguntados se queríamos sobremesa, ouviu-se uma saraivada de pouco convincentes NÃO's. Um instante de silêncio coletivo, e uma solitária voz encabulada disse: "tá bom, manda só um pra todo mundo dividir!'. E pra acompanhar veio essa cerveja inglesa, que leva em sua composição chocolate Cadbury.

Sticks fritos de queijo-de-coalho com goiabada cascão mole e pudim de cachaça com melado.

Terminado o festival de engorda fomos convidados a conhecer o "cofre". Consigo até imaginar "mein brüder" Heiko Grabolle vendo essa foto e revirando os olhos!

O destino seguinte era fatal: uma siesta básica no hotel antes de partir para a mise-en-place, os preparativos do jantar La Mar no Rio. E lá fomos nós,  Thomas com três garrafas de cerveja champenoise debaixo do braço, presentes da Kátia.

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