Já notaram o quanto a evolução no sistema de produção alimentar mudou os produtos que chegam às nossas mesas?
Lembro que no primeiro restaurante de minha família encomendávamos um caminhão de carcaças de frango para filetar e preparar frango xadrez (ok… “um caminhão” é exagero!). Hoje simplesmente se liga pro fornecedor pra pedir 100 kgs de filé de peito de frango.
Quando abríamos um saco de arroz, antes de cozinhar passávamos alguns minutos checando e catando grãos defeituosos, pedriscos e outras sujeiras. As esteiras de seleção eletrônica acabaram com isso. O mesmo vale para o feijão.
A carne de porco está super-saudável e higiênica, o morango dura mais tempo, a adstringência do cajú diminuiu, a batata baroa embalada a vácuo demora mais pra escurecer e ficar “babenta”.
Nem tudo, porém, vem para bem. Há quanto tempo eu não via um ovo com gema dupla! É possível que as novas gerações nunca tenham se deparado com tal bônus. Pois este fim-de-semana, no Mirazur, tiramos a sorte grande com uma bandeija de ovos em que praticamente todas as unidades estavam premiadas!

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Aqui no restaurante o ovo tem a casca picotada lateralmente, sofre uma leve cocção e é servida no “amuse-bouche oeuf avec choux et emulsion de Parmesan”.

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E aí, deu vontade?!

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