Ok, não estou aqui pra fazer apologia a estrangeirismos e nem depreciar os produtos e mercados brazucas. Cada localidade tem seus fortes e fracos na produção alimentar, suas particularidades, tipicidades, sazonalidades e terroir. Quero simplesmente compartilhar um local espetacular para compras, sonho de qualquer cozinheiro: o mercado público de Ventimiglia, primeira cidade na Itália logo depois da fronteira.

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Saindo do restaurante Mirazur (que fica a uns 100~150 metros da fronteira), de carro, leva-se uns 10 minutos até o mercado por estradas/ruas apertadinhas.

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A diferença de Menton/FRA pra Ventimiglia/ITA, apesar de próximos, é berrante. Isso é visível na movimentação na rua, no perfil da população e na algazarra pública, especialmente nas cercanias do mercado, movimentadíssimo.

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O mercado tem um pequeno setor de pescados, e lá encontrei pela primeira vez alici fresco.

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Algumas das bancas ostentam orgulhosamente peixes-espada.

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Mais uma das novidades foram esses primos nanicos dos linguado.

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Polvos fresquíssimos e lulas de cores, tamanhos e formatos variados.
Pescados e frutos-do-mar de qualidade não têm perfume forte, apresentando simplesmente um “cheiro de mar”. Apesar de ser este o caso, a peixaria não é o forte desse mercado.

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Uma das laterais do prédio é tomada por lojas, algumas delas com charcuterie e queijos pra lá de sedutores.

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Noutra das lojas um simpático senhor se dispõe a me atender em inglês. Descubro que ele produz os vinhos dispostos nas prateleiras, que se alternam com produtos trufados e também com os próprios fungos. Prometeu me conseguir trufas brancas dentro de um mês.
Mas essa fileira de lojas também não é o maior atrativo do mercado de Vintemiglia.

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Existem lojas e bancas tanto de ervas, flores e plantas artificiais. Como em tantos outros mercados, mas são só acessórios.

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Por fim chegamos a uma fileira de bancas pequenas: são os pequenos produtores de orgânicos, onde vamos garimpar produtos premium para o cardápio do restaurante.

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Pode-se, por exemplo, encontrar olivas frescas ou em conserva, elaboradas pela própria pessoa que a cultiva… e degustar in loco também!

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Há um senhor que produz queijos e que não te deixa sair da banca dele sem experimentar no mínimo um par de variedades. Comprei uma mozzarela branquíssima e servi aos colegas de trabalho com uma goiabada trazida do Brasil. De ajoelhar e rezar.

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Um dos pratos que sai de minha partie se chama “ragout de courgette”, que vêm a ser as abobrinhas, em francês. Entram no mínimo 5 variedades sempre, e é aqui que nos abastecemos. Existe uma grande oferta dos legumes ainda com a flor, ou mesmo a fiori de zucca sozinha.

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Pense no luxo que é fazer o prato com um mimo desses!

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Certa vez, no evento Mesa SP (da revista Prazeres da Mesa), vi uma receita de cozinha molecular que executava um falso tomate. Ficava com um aspecto misto de tomate com um saco amarrado… como os tomates acima! São dezenas (eu disse DEZENAS!) de variedades das vermelhinhas. Algumas nem tão vermelhas assim.

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No miolão estão três fileiras de bancas de horti-frutis tradicionais, com produtos belíssimos, multi-coloridos e ricos em perfume.

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A sous-chef japonesa Chiho e o argentino chef-viandé (carnes) Marcelo percorrem todas as bancas selecionando os melhores produtos, mas dando preferência a alguns fornecedores mais habituais.

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Como a banca que supre o Mirazur dos fartamente utilizados cogumelos, especialmente girolles e porcinis frescos como esses da foto.

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Essa caixa mesmo foi toda pro carrinho. Na praça do cuisinier portenho eles são cortados ao meio, besuntados em azeite e levados à grelha. Será que fica bom?!

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Na última 3a feira a mesma banca tinha também isso daí: graúdas cerejas negras. É caro no Brasil? Aqui também!

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A fartura de frutas é grande, por vezes importadas. A maçã pode ser brasileira, a pêra eventualmente é argentina, os papayas são caríssimos. O perfume dos melões é dulcíssimo, e é meio engraçado ver as bananas serem chamadas aqui de chiquitas.

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O Brasil não nasceu pra produzir pêssegos, mas aqui… uh-la-lá! Vejam só o tamanho deste! Existe a variedade que tradicionalmente conhecemos – amarela, e a branca. Ambas entram no menu do restaurante.

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Outra coisa são as berries. Que facilidade comprar os insumos para montar minha sobremesa Torre de Babel por aqui!

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Cebolas tradicionais, outras branquíssimas, roxas ovaladas e echalotes.

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Endívias enormes, longe da usual aplicação em terras brasileiras para finger-food.

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Vejam a cor maravilhosa dessa variedade de cebolinha. Aqui na casa elas são escaldadas e depois levadas à grelha.

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Descubro que, por aqui, é comum comprar a barbabietola (beterraba) já cozida…

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… e que a castanha portuguesa pode ter o dobro do tamanho das maiores que compramos no Brasil.

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Aprendo que berinjela é melanzana ou aubergine, e que pode ter outras cores e tamanhos.

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Fico cada vez mais convencido de que o brócolis americano é um irmão bastardo da couve-flor, ainda mais quando encontro um parente intermediário dos dois, uma couve-flor verde clara.

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Mas o mais belo achado guardei para o final: é a couve romanesco. Lindíssima, ficaria em dúvida sobre mandá-la pra panela ou colocar na fruteira no meio da sala.
Gostaram? Pois eu já me prontifiquei por aqui: toda vez que alguém tiver que ir pra Ventimiglia fazer compras poderá contar gratuitamente com um par de braços para carregar a feira!

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