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No post anterior publiquei a coluna de Rafael Mantesso na Chef, a nova revista de gastronomia lançada no mercado.

Pois outra novidade é que na mesma publicação também estréio eu – no papel de colunista. Quer saber o melhor? Tenho total liberdade de pauta, podendo escolher a meu bel prazer o tema da coluna. Resolvi começar falando sobre execuções, repetições, cópias, plágios e invenções.

INSPIRE-SE, MAS NÃO COPIE (por William Chen Yen)

Ferran Adriá não faz mais espumas, ponto. Esferificações, fumaças, gelatinas, espumas – o chef catalão teve a ideia (brilhante, destaque-se), desenvolveu a técnica, aprimorou, fez sucesso, parou de usar e seguiu adiante. Mérito para ele!

Antes disso, porém, difundiu a técnica, patenteou os ingredientes, franqueou a produção e comercialização dos mesmos. Hoje em dia, qualquer um pode ir a uma casa especializada e comprar o kit de esferificação ou de texturas do El Bulli. Mais uma vez: mérito para ele!

Se por um lado é bom (agora a brincadeira pode ser replicada em casa, em qualquer lugar, por qualquer pessoa), por outro lado é terrível nos depararmos com tantos cozinheiros posando de super-chef ao usar tais produtos. Muitos simplesmente variam cores e sabores, seguindo à risca a “receita-de-bolo”, mas sem sequer entender os fundamentos da técnica, como cada ingrediente age ou como interage com os outros.

Montar um home theater em casa, seguindo o manual de instruções, não faz de mim um técnico em eletrônica. Se o recado ainda não está claro, vou torná-lo explícito: usar o kit de esferificação do elBulli não faz de você o Ferran Adriá! Da mesma forma, você não vai virar o Claude (Troisgros) ao fazer uma tapioca-caviar; ou a Helena Rizzo preparando nhoque de araruta; nem uma Roberta (Sudbrack) servindo caviar de quiabo; tampouco o Alex (Atala) preparando um fettuccine de pupunha. Se a execução for uma simples imitação, você nunca passará de uma cópia, e até hoje nenhuma cópia chegou a ter o mesmo valor do original.

Não há vergonha alguma em só cozinhar seguindo receita alheia. Nem todos nasceram para inventar, mas não se vanglorie pela criação dos outros. Fazendo sucesso, dê a referência: você estará, ao mesmo tempo, sendo honesto consigo mesmo e homenageando o criador do prato.

Pode-se também optar por um caminho mais árduo e sinuoso. Conheça, aprenda, domine a técnica, inspire-se, faça experiências e ouse criar. O sucesso não é  garantido, mas se ele vier, o mérito será único e merecidamente seu.

Veja a lista dos pontos de distribuição DA REVISTA no site http://www.revistachef.com.br