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Pois é, depois de um período sabático de 12 meses, nada melhor pra marcar o fim dessa etapa do que trabalhar. E para deixar mais emblemático, marquei o retorno às panelas exatamente no dia do meu aniversário.

Foi um jantar pequeno (20 pax), com menu em 6 passos acompanhado de espumantes Vallontano (Brut ao longo do jantar e Moscatel na sobremesa). Ainda tive a felicidade de ser presenteado por um dos casais com uma sempe bem-vinda viuvinha (foto acima).

Além da vinícola, o evento contou com o apoio e parceria da distribuidora de vinhos Mistral e da Table Parfaite (empresa de locação, assessoria e organização de eventos).

Bem, o jantar foi aberto com um trio de tapas: bombom de queijo-de-cabra com gergelin; aloo-puri (uma panqueca indiana frita) com pasta de cebola queimada; mandiopan ao curry com cubinhos de abóbora caramelados em especiarias.

O jantar propriamente dito começou com esse starter: caldinho trufado de couve-flor com azeite verde (de espinafre).

Como em Brasília praticamente não há oferta de brotos de ervas, uma das experiências para esse jantar foi como um retorno ao jardim de infância. Produzi esses brotos da foto – de rúcula, bem como testei a cultura de agrião d’água, beterraba, agrião seco e coentro.

A entrada foi um de meus carros-chefes: cestinha de harumaki com sauté de cogumelos e gema mollet. Lá no alto, gloriosamente coroando o ovo, meus brotinhos de rúcula com uma pitada de flor-de-sal!

Noutra receita pelamos tomates e filetamos em quartos, que foram levados ao forno brando para murchar e secar de leve. Depois disso foram deixados para reidratar, marinando numa mistura de azeite, aceto balsâmico, melado de cana, e shoyu por dois dias.

O que fazer com esse tanto de pele de tomate? Jogar fora?! Não! Secar no forno, processar, aditivar com um pouco de poivre, sal, e está criada a páprica de tomate!

Tentando fugir dos peixes onipresentes nos cardápios brasilienses (salmão, tilápia, atum e robalo), o catch of the day que encontrei foram os vermelhos. Este, na foto, tinha 4.5 kgs. O que levei acabou sendo outro, com impressionantes 10 kgs…

… e que ainda me presenteou com a surpresa acima. Tá programado pro cardápio da família no final de semana, grelhado com um fio de teriyaki e ciboullete picadinha.

E o primeiro prato ficou assim: tranche grelhada de vermelho, farofa de castanha-do-Brasil e crackers, lâminas de tomate marinado (notaram minha páprica de tomate em volta do prato?!).

Para fechar os platos fuertes, que tal um cordeiro? 4 horas e meia de forno. No final, não satisfeito com a maciez, ainda mandei mais 4 horas confitando!

Segundo prato: paleta de cordeiro, purê rústico de batata e páprica, trouxinhas folhadas de tomilho.

A mise en place dos postres demandou o trabalho de tornear maçãs até que atingissem o tamanho de um limão. Foram cozidas em vinho tinto com cravo, e depois deixadas nesse caldo por mais um dia, adquirindo coloração ainda mais acentuada.

Servidas em taças de martini, a sobremesa era de manzana-baby ao vinho com crumble de granola e ganache de chocolate com cumaru (a baunilha da Amazônia, também conhecida como fava tonka).

Já estamos em negociações para a execução do Jantar Itinerante #2, que deve acontecer no final deste mês. O cardápio será inspirado em minha experiência no restaurante Mirazur, recentemente condecorado com a 2ª estrela do Guia Michelin e promovido na lista mundial do 50 Best Restaurants para a 24ª colocação. Aguardem.

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