Semana passada estive em Goiânia para minha terceira experiência de “cozinhar nas alturas”. Antes disso já tinha feito o Dinner in The Sky em Sampa e em BH. A estrutura mínima que acompanha o evento é composta de um caminhão guindaste e dois containers (uma para a “mesa” e outro que funciona como copa e cozinha de apoio, vista ao fundo desta foto).

A “mesa” comporta 22 convidados, além de 5 pessoas no corredor de trabalho (geralmente são 2 cozinheiros, 2 barmen e o mestre de cerimônias).

Quem vai no corredor de trabalho veste uma “cadeirinha”, que é amarrada à estrutura. Os convidados sentam em bancos esportivos (de carro de corrida), cada qual com 2 cintos que têm de ser abertos e fechados pelos técnicos de segurança. Ou seja, NÃO DÁ para os convidados soltarem os próprios cintos.

Reconheço que quem vai como comensal sente muito mais emoção, pois tem as costas livres, vê diretamente o chão e tem espaço pouco maior do que uma folha de papel para apoiar os pés. Para quem está no corredor de trabalho, é como se estivéssemos na varanda de um apartamento do 13º andar (a estrutura é içada a 50 metros de altura).

O evento foi realizado próximo ao estádio Serra Dourada, logo ao lado do Parque Flamboyant, o que proporcionava esse belíssimo visual.

Meu menu foi aberto com um beijú de tapioca gratinado com parmesão, cobertura de tartare de frutas (kiwi, maçã, tomate e cebola).

A entrada quente foi um risoto de quinoa, batatinhas amanteigadas, shiitake salteado e éponge vert (esponja verde de salsinha).

O prato principal foi um filé de peixe (anchova negra) com crosta de pistache, espuma de batata, e vinagrete picante de limão siciliano.

Pra fechar manga, ganache de chocolate com cumaru, sal de vinho do Porto, e croutons de canela.

No começo de cada subida a estrutura é elevada a 8 metros e pára. É nesse momento que o mestre de cerimônias dá as boas-vindas e instruções de segurança. Foi exatamente nesse ponto, logo na primeira de minhas 5 subidas, que uma moça abortou, já prevendo a possibilidade de surtar lá em cima.

Noutra subida, um rapaz manteve o tempo todo as duas mãos sobre a mesa, um leve sorriso nervoso nos lábios, e olhar longe no horizonte. Não bebia e nem comia nada, mas não deixava que tirássemos os pratos que lhe eram servidos. Ao final, tocando o solo, relaxou, pediu “Enche a taça!”… e finalmente comeu!

Grato a Tatiana Mendes (professora da faculdade Cambury) por ajudar a montar minha equipe. Agradecimentos especiais a Patrícia Miotto (professora do IGA) e aos alunos William Carvalho, Juliane Tokarski e Bianca Borges pela inestimável ajuda.

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